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Monday, October 10, 2011

Seis Estados disputam fábrica da Volkswagen



Pedro Kutney, AB
www.automotivebusiness.com.br
Na sexta-feira, 7, Thomas Schmall esclareceu melhor o aumento do investimento da Volkswagen do Brasil que o chefe Martin Winterkorn anunciou na segunda-feira, 3, durante jantar em sua homenagem em São Paulo (leia aqui). Segundo explicou Schmall, presidente da subsidiária brasileira, não está incluída a possível construção de nova fábrica no País na elevação dos aportes informados pelo presidente mundial do Grupo Volkwagen, de R$ 6,2 bilhões para R$ 8,7 bilhões, com extensão do plano de 2010 a 2014 para até 2016. “Ainda estamos estudando a melhor forma de ampliar nossa produção, mas caso a decisão seja por instalar uma nova unidade vamos precisar de mais recursos”, disse o executivo.

Schmall não quis ainda confirmar se a nova fábrica será de fato construída, contudo informou que os estudos são para uma unidade com produção inicial de 500 carros/dia, para chegar a 1 mil/dia (algo próximo de 125 mil a 250 mil/ano). Atualmente a capacidade da Volkswagen no Brasil é de 3,5 mil/dia e com mais uma planta, portanto, iria para 4 mil a 4,5 mil por dia. “Precisamos crescer para acompanhar o crescimento do mercado brasileiro”, justificou o executivo, estimando vendas totais de 4 milhões de veículos leves até 2014. Até este limite a empresa já teria capacidade para atender sem uma nova linha se ficar com participação em torno de 20%. Schmall informa que este ano a empresa deverá produzir 900 mil automóveis, sendo 150 mil exportados.

O problema seria para além de 2014, pois muitos especialistas, inclusive alguns que prestam consultoria à Volkswagen, calculam mercado interno de 5 milhões de unidades/ano a partir de 2016, o que elevaria a necessidade de produção da empresa para além de 1 milhão de veículos por ano para dar conta também das exportações. Nesse patamar, só uma nova fábrica resolveria a questão.

Negociações com seis Estados

Schmall admitiu que mantém conversas com seis Estados, indicando assim que a decisão de fazer a planta está tomada, o que falta é decidir onde, levando-se em conta questões de logística, infraestrutura, condições de produção e quais são os melhores incentivos. “Precisamos estudar todas essas possibilidades. Uma nova fábrica traz mais capacidade, mas aumenta a complexidade de gestão”, ponderou. “Deveremos decidir isso o mais breve possível”, disse, evitando definir um prazo.

O executivo também não confirma com quais governos estaduais está conversando, contudo existem indícios de negociações no Nordeste (Bahia e Pernambuco), Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Paraná – nos dois últimos a Volkswagen já tem quatro fábricas trabalhando no topo da capacidade.

As plantas de São Bernardo do Campo, Taubaté e São Carlos (motores) passam por ampliações importantes, recebendo cerca de R$ 3 bilhões dos investimentos de R$ 6,2 bilhões anunciados no fim de 2009. Com o aumento dos aportes para R$ 8,7 bilhões, a proporção dos gastos também muda: “Eram 50% para modernização de unidades e ampliação de capacidade e outros 50% em desenvolvimento de novos produtos. Agora a proporção é de um terço para as fábricas e dois terços para desenvolvimento”, informou Schmall.


Monday, October 3, 2011

Renault Nissan: expansão no PR e fábrica no RJ

Carlos Ghosn e a Presidente Dilma
Redação AB, com Agência Estado 
www.automotivebusiness.com.br

Agora é oficial: o presidente mundial da Aliança Renault Nissan, Carlos Ghosn, confirmou à presidente da República, Dilma Rousseff, os novos investimentos bilionários que as empresas associadas farão no Brasil. Em encontro com Dilma no sábado, 1º, Ghosn adiantou detalhes dos anúncios que fará no decorrer desta semana. Na próxima quarta-feira, 5, ele divulgará detalhes da expansão do Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), e no dia seguinte irá para o Rio de Janeiro anunciar oficialmente a construção de uma fábrica da Nissan em Resende (RJ). Logo após o encontro com Dilma, o executivo concedeu uma rápida entrevista coletiva, quando confirmou os dois investimentos, mas sem revelar mais pormenores. “Hoje foi uma oportunidade para mostrar à presidenta nossa visão sobre o mercado automobilístico mundial e a importância do Brasil na estratégia da Aliança Renault Nissan, com nossa determinação em investir no País para contribuir mais com o desenvolvimento do mercado brasileiro, que nós consideramos significativo para os próximos anos”, disse Ghosn.

O presidente da Aliança reafirmou que a ambição das duas marcas é abocanhar 13% do mercado brasileiro até 2016, sendo cerca de 8% para a Renault e 5% para a Nissan – hoje a participação da marca francesa é de 5,5% e da japonesa de 1,65%. Levando-se em conta que muitos analistas apostam em um mercado de 5 milhões de veículos/ano no período citado por Ghosn, significa que, em números, a ambição é de vender aqui cerca de 650 mil unidades, 400 mil Renault e 250 mil Nissan.

Não por acaso, são justamente esses os números projetados para os dois investimentos: a fábrica paranaense da Renault investiria R$ 1,5 bilhão para aumentar sua capacidade de 250 mil unidades/ano para além das 300 mil, chegando gradualmente às 400 mil; e a nova fábrica fluminense da Nissan teria capacidade inicial de 200 mil veículos/ano, em um investimento estimado em US$ 1,5 bilhão que sugere o aumento rápido desse volume.

O Brasil atualmente é o terceiro maior mercado para a Renault no mundo, e pode chegar à segunda posição este ano, perdendo apenas para a França. Para a Nissan, porém, o País ainda figura apenas como um mercado em potencial. “O objetivo é manter o Brasil como mercado estratégico para Renault, mas também permitir que Nissan contribua mais para desenvolvimento do mercado brasileiro”, disse o executivo. 
Calos Ghosn, presidente da Aliança Renault Nissan, explica os planos de investimento na entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, logo após encontro com a presidente Dilma Roussef. Ao lado de Ghosn, o governador do Paraná, Beto Richa (à esq.), o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante (à dir.), e o governador do Rio, Sergio Cabral: interesses em comum. (foto José Cruz/ABr)

Além dos governadores Beto Richa (Paraná) e Sergio Cabral (Rio de Janeiro), também esteve presente, tanto no encontro com Dilma como na entrevista coletiva, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Uma presença emblemática, já que Ghosn falou em investimento em tecnologia no País e, na semana passada, chegou a circular na imprensa a informação de que a Nissan talvez produzisse até carros elétricos na fábrica de Resende.

Durante a entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Mercadante confirmou que a presidente Dilma pediu um estudo sobre a viabilidade da participação de carros elétricos na matriz de transporte brasileira. “Ainda não há decisão de governo”, disse. Renault e Nissan têm posição adianta em relação ao desenvolvimento de carros elétricos e ambas já têm modelos prontos para o mercado.

Ghosn confirmou que ambas as companhias pretendem aumentar o porcentual de conteúdo nacional tecnológico nos veículos das duas marcas. “Pretendemos investir no desenvolvimento tecnológico não só do flex fuel, mas também de carros elétricos e híbridos”, afirmou. “Nós consideramos o Brasil um dos mercados mais estratégicos não só em desenvolvimento de quantidade, mas também de tecnologia”, concluiu.

Segundo fontes do governo do Paraná, está prevista no plano de investimento da Renault no Estado a criação de um centro de engenharia e desenvolvimento completo dentro do complexo de São José dos Pinhais, onde as intenções de Ghosn poderão ser levadas adiante.

Mercadante avaliou que as duas companhias estão sintonizadas com o que deve ser a relação do Brasil com as montadoras automotivas. “Queremos aqueles que vêm para ficar. Para disputar o mercado, mas gerando desenvolvimento, emprego e tecnologia”, afirmou. “São investimentos de grande porte, que mostram o potencial do mercado brasileiro, que é hoje um dos principais da indústria automotiva internacional.”

Potencial e lucro

Mercadante sublinhou as afirmações de Ghosn: “O presidente da Renault Nissan disse que o Brasil tem hoje 250 veículos para cada mil habitantes. Na União Europeia, essa relação é de 580 por mil habitantes e, nos Estados Unidos, de 800”, comparou. “Olhando as condições macroeconômicas do País, a perspectiva de vendas de veículos é muito promissora”, acrescentou.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, destacou a posição do Brasil como quarto maior mercado consumidor de veículos do mundo, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Japão. “Acredito que os investimentos são uma relação de valor recíproco: uma grande marca de um lado e do outro, a grande marca Brasil.” Para ficar com a fábrica da Nissan, que era disputada por pelo menos quatro Estados, o governo fluminense preparou um generoso pacote de incentivos fiscais, que inclui o deferimento do pagamento de parte significativa do ICMS e a transformação dessa dívida em títulos recebíveis que poderão ser comprados preferencialmente pela própria Nissan, com grande desconto.

Ghosn garantiu que a lucratividade das montadoras no Brasil não apresenta nenhum porcentual “excepcional” ante a média obtida pelo grupo nos demais países onde atua. Segundo ele, as margens da Nissan, inclusive, estão abaixo da média, enquanto as da Renault, um pouco acima, mas “nada significativo”. “O Brasil é um País atrativo para investimentos, mas não acho que nenhuma montadora está obtendo lucratividade muito alta em comparação com Rússia, China e Índia”, disse.

Friday, September 16, 2011

PSA Peugeot Citroën terá nova fábrica no Rio de Janeiro

Paulo Ricardo Braga, AB
www.automotivebusiness.com.br
Do Rio de Janeiro


Carlos Gomes, Presidente do Grupo PSA para América Latina
Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën para a América Latina, sugere mas não confirma: a empresa terá uma nova fábrica e será no Estado do Rio de Janeiro. A empresa precisa encorpar a operação latino-americana, onde ainda tem reserva de capacidade de um turno na Argentina, e não pretende ir para Goiás, São Paulo ou Pernambuco, nem mesmo correr atrás de incentivos fiscais em outras regiões. “Fincamos raízes no Rio”, garante o executivo.

A frase vale tanto para a empresa, que comemora os dez anos da fábrica de Porto Real, como para ele mesmo, que completa um ano à frente dos negócios na América Latina. Ao lado da esposa e de um filho de 16 anos (a filha estuda em universidade de Nova York), portugueses como ele, Gomes disse que se sente em casa na cidade do Rio, onde a PSA mantém seu escritório central em Botafogo. Uma vez por mês, pelo menos, ele vai à fábrica distante cerca de duas horas de carro. Gomes admite que há um tsunami de investimentos prometidos para o setor automotivo, mas coloca em dúvida o avanço efetivo de todas as iniciativas. No caso da Peugeot e Citroën, fala com segurança sobre os planos, que incluem, além da nova fábrica, a reformulação da família de motores em cinco anos, contratações e o lançamento de veículos.

A PSA tem investimentos programados de US$ 1,4 bilhão no País até 2012, e calcula que a capacidade atual de 220 mil veículos em Porto Real pode atender o mercado só até o fim de 2013. Em 2011, o grupo programa emplacar 330 mil unidades na América Latina, essencialmente no Brasil e Argentina, o que garantirá uma participação de 5,9%. O Brasil absorverá cerca de 190 mil veículos, contra 172 mil em 2010, e as duas marcas ficarão com 5,5% de market share no mercado brasileiro. De janeiro a agosto foram comercializados na América Latina 214,2 mil carros Peugeot e Citroën, um crescimento de 20% em comparação ao mesmo período de 2010.

O Grupo PSA está presente industrialmente no país desde 2001, quando foi inaugurado o Centro de Produção de Porto Real, onde atualmente são montados os Peugeot 207, 207 SW, 207 Passion e Hoggar e os Citroën C3, Aircross, C3 Picasso e Xsara Picasso, e também os motores de 1,4 litro e 1,6 litro flexfuel e a gasolina (para exportação).

Negociações, contratações e lançamentos em pauta

Preparando terreno para anunciar os novos investimentos na região, a PSA iniciará a contratação de mais 800 profissionais no Centro de Produção de Porto Real, que passará a ter 5 mil colaboradores. A intenção é recrutar trabalhadores para o primeiro emprego e completar a formação em programas na fábrica. “A criação de postos de trabalho poderá ser muito maior, dependendo das negociações com o governo do Rio de Janeiro para ampliação das atividades no Estado, visando ao mercado local e exportações”, afirmou Gomes.

A remuneração do trabalho representa cerca de 6% dos custos de produção da PSA em Porto Real. Incomoda mais, na hora de avaliar a competitividade da marca, o valor das matérias-primas (30%), especialmente do aço, que começa a ser importado da Ásia em pequena escala.

A nova safra de produtos começará a chegar no fim do ano, com a estreia do cupê RCZ, um desafiante do Audi TT que virá importado da França. No início de 2012 será lançado o hatch 308, que aposentará o 307 feito na Argentina. O carro, de porte médio, vai disputar clientes com o Hyundai i30, Volkswagen Golf e outros concorrentes de peso.

Resultados que valem champanhe francesa

Em almoço com um grupo de jornalistas no renomado restaurante Le Pré Catelan, comandado pelo chefe Roland Villard, no Hotel Sofitel, em Copacabana, Rio de Janeiro, Gomes brindou os bons resultados da PSA na região com champanhe francesa. “A ocasião merece”, justificou.

Ele diz ter bons motivos para comemorar, aqui e na Argentina, onde a Peugeot é marca de prestígio, com tradição de 50 anos. Junto com a Citroën, a PSA tem participação de 13,2% das vendas totais no país vizinho e cresceu 38% nos emplacamentos este ano.

No Brasil, onde a PSA cresce mais do que a média do mercado, a Peugeot pretende retomar as ações para avançar. O novo 308 deve trazer alento à marca, mas ainda será pouco para alcançar equilíbrio com o desempenho da Citroën. A versão automática do 408 atrasou, enquanto o modelo com transmissão mecânica foi bem nos testes do Cesvi sobre reparabilidade, junto com os Citroën C3 e C3 Picasso.

Gomes entende que a PSA avançou com razoável sucesso no segmento dos carros B premium. O compacto 207 será renovado, mas ele assegurou a Automotive Business que não há planos para avançar no campo dos modelos populares, embora admita que é importante ganhar volume nas operações de manufatura e distribuição. O 107, já renovado, não virá. “Nossos veículos estão em patamar de preço acima de R$ 35 mil”, observa, enfatizando que a PSA tem 17% de participação no segmento B.

“Os resultados confortam, mas ainda não satisfazem”, define o presidente, assegurando que “há muita coisa a caminho”. Essas “coisas” passam por negociações com a matriz e o governo do Rio de Janeiro. Uma delas é o desenvolvimento do parque de fornecedores, ainda tímido. Seguindo o exemplo da Fiat, onde trabalhou ao lado de Sergio Marchionne para estimular as vendas da marca italiana na França e Itália, Gomes vai na direção de uma “fluminensização” da cadeia de suprimentos, que pretende atrair para o círculo ao redor da fábrica atual. No fim de 2010, a empresa adquiriu 65 mil m2, de olho nessa expansão.

Sem dependência do regime automotivo

O anúncio da regulamentação do regime automotivo, previsto para sexta-feira, 15, parece não preocupar a PSA no Brasil. “Dependemos pouco das medidas que estão sendo tratadas. Nós investimos em pesquisa e desenvolvimento muito mais do que se discute aqui”, diz Gomes.

Sobre a desaceleração do mercado automotivo, com desaquecimento a partir de setembro, ele comenta: “É razoável evoluir em um ritmo menor durante algum tempo. Mas estamos seguros de que a indicação, no longo prazo, é de crescimento”.

Além de avançar na área de pessoal, tecnologia, produtos e manufatura, as marcas Peugeot e Citroën estão preocupadas em ampliar os esforços em distribuição na região, onde já possuem cinco centenas de pontos. No Brasil e Argentina haverá mais 95 concessionárias e 115 oficinas até o fim de 2012. A iniciativa recebe aporte de € 50 milhões.

 

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