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Wednesday, October 26, 2011

Quando o Mickey e o Pateta quase entraram na Fórmula 1



Emerson quase embarcou na mais fria das enrrascadas ao testar essa bomba da Spirit

A pré-temporada da Fórmula 1 de 1984 viu um carro engraçado. Era a Spirit, que no ano anterior havia estreado muito bem na categoria, fazendo seus testes com o piloto italiano Fulvio Maria Ballabio, um playboy cujo pai era dono dos direitos autorais de Walt Disney na Itália. E não é que até Emerson Fittipaldi foi ludibriado?



Stefan Johansson foi o homem que conduziu o carro da Spirit na temporada de 1983. O bólido era bem rápido, principalmente por causa de seu motor Honda, que voltava a dar as caras na Fórmula 1 depois de 1968. A equipe estreou na metade do campeonato, em Silverstone, e, desde lá todos perceberam que o negócio era sério. O sueco fez grandes corridas e constantemente andava à frente de Ferrari e Lotus.

Ao fim da temporada, a Honda percebeu que, mesmo com o bom desempenho, a equipe não era o porto seguro ideal para depositar todos seus ienes. Já no finzinho da temporada de 83, surgiu o contrato com a equipe Williams.

Sem a força dos japas, a Spirit perambulou de fornecedora em fornecedora até encontrar a humilde mas talentosa oficina de Brian Hart, que também equiparia o Toleman de Senna em 1984 e outros F1 medianos ao longo da década de 90. Para piorar a situação da Spirit, Johansson saiu do time.

Quando o Mickey e o Pateta quase entraram na Fórmula 1 Foi quando o fatídico nome de Fulvio Maria Ricardo Ballabio Crescenzi apareceu. Filho do dono da Mandadori, empresa detentora dos direitos autorais da publicações Disney na Itália, ele traria muito dinheiro. Em troca, a Spirit estamparia a cara de Mickey Mouse (Topolino) e de Pateta (Sport Goofy) na carenagem.



Com a boa atuação da equipe do ano anterior, nosso grande campeão Emerson Fittipaldi foi persuadido a aceitar a vaga no outro carro. Emmo traria o patrocínio da STP para o time.

Como de costume na época, as equipes vieram testar no início do ano em Jacarepaguá. Desde o início, Ballabio – e principalmente Emerson – viram que a enroscada na qual se meteram era funda.

Os tempos de voltas de ambos eram horríveis, e sobravam reclamações tanto para Ballabio, que não sabia sequer manter o carro em linha reta, quanto para a  Hart, que forneceu motores refugados da Toleman sem potência alguma.

1) 1:29.34 Patrick TAMBAY FRA Renault RE50

2) 1:30.28 Nigel MANSELL ING Lotus 95T-Renault

3) 1:30.40 Keke ROSBERG FIN Williams FW-09-Honda

4) 1:30.65 Elio DE ANGELIS ITA Lotus 95T-Renault

5) 1:30.72 Michele ALBORETO ITA Ferrari 126 C3

6) 1:30.97 Derek WARWICK ING Renault RE50

7) 1:31.74 Riccardo PATRESE ITA Alfa Romeo 183T

8) 1:31.84 Eddie CHEEVER EUA Alfa Romeo 183T

9) 1:32.15 Manfred WINKELHOCK ALE ATS D6-BMW

10) 1:33.43 Ayrton SENNA BRA Toleman TG 183B-Hart

11) 1:33.84 Alain PROST FRA McLaren MP4/1E-TAG Porsche

12) 1:34.61 Niki LAUDA AUT McLaren MP4/1E-TAG Porsche

13) 1:35.21 Danny SULLIVAN EUA Tyrrell 012-Ford

14) 1:35.59 René ARNOUX FRA Ferrari 126 C3

15) 1:35.69 Andrea DE CESARIS ITA Ligier JS23-Renault

16) 1:36.03 Martin BRUNDLE ING Tyrrell 012-Ford

17) 1:37.20 Emerson FITTIPALDI BRA Spirit 101-Hart

18) 1:37.41 Jacques LAFFITE FRA Williams FW 09-Honda

19) 1:37.76 Johnny CECOTTO VEN Toleman TG 183B-Hart

20) 1:39.03 François HESNAULT FRA Ligier JS23-Renault

21) 1:40.25 Fulvio BALLABIO ITA Spirit 101-Hart

22) 1:42.73 Roberto MORENO BRA Lotus 94T-Renault



Ballabio deu poucas voltas, mas Emerson reclamava que ele acabava com o carro a cada saída

Há algum tempo cheguei a entrar em contato com Ballabio para saber o que de fato houve naqueles dias em Jacarepaguá, e suas respostas você poderá ver a seguir:

“Minha experiência com a Spirit foi, digamos, muito difícil. Foram poucas voltas, motores descartados de Senna e Cecotto e jornalistas que sequer vinham falar comigo e escreviam baboseiras sobre mim (…) Mas me orgulho do tempo que fiz. Wilson [Fittipaldi] me deu umas dicas de como me portar na pista e consegui virar um tempo bom. Após o Rio, testei em Mugello, Brands Hatch e Monza, mas não tive o apoio da CSAI (Federação Italiana de Automobilismo), que preferiu ajudar Pierluigi Martini e Mauro Baldi e me recusaram a superlicença. Baldi seria o escolhido para pilotar a Spirit na temporada e ele viraria, no GP Brasil, tempos iguais aos meus.”


Aqui podemos ver Fulvio Ballabio nos pits de Monza em um de seus últimos testes na Fórmula 1

E isso foi o que de fato aconteceu. Emerson, que ainda pensava em voltar à Fórmula 1 para correr em uma categoria mais segura sem os carros asa, desistiu assim que sentou no cockpit. Ballabio e suas pinturas do Mickey e Pateta foram vetados pela federação de seu país. Depois ele passaria pela Cart e Superboats, e antes pela F3000, F2,  F3 Italiana e Motocross, mas o gostinho de andar em um Fórmula 1 ficou arquivado naquele quente verão de 1984.



Fonte: jalopnik

Disponível no(a):http://www.jalopnik.com.br

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